O Cristianismo antes da Reforma Protestante - A decadência da Igreja Medieval e a Reforma de Cluny

Pretenderam fortalecer o absolutismo papal ao invés da integridade da fé cristã como ela nos foi entregue.


A Igreja Ocidental sob o papado, falhou em suas tentativas de salvar o cristianismo de sua degradação moral, espiritual, teológica e eclesiástica, pois, pretenderam fortalecer o absolutismo papal ao invés da integridade da fé cristã como ela nos foi entregue. Salvaram a Europa para os reis, e sacrificaram o evangelho. Resultado, passa séculos brigando por um trono, perdendo cada vez mais sua influência e autoridade em se dizer guardiã do evangelho que tanto negligenciou em troca de pretensões que antes tanto foram combatidas.

Começaremos uma abordagem a partir do século VIII no Ocidente devido o abismo da conduta e da moral ser intensa já nesta época por parte do clero romano. A condição moral era ruinosa, a maioria dos sacerdotes eram imorais e avarentos. Os bispados eram considerados como propriedades particulares e abertamente vendidos a quem pagasse mais caro. Embriaguez e adultério eram os menores vícios de um clero que tinha apodrecido até a medula. Sacerdotes escandalosos superavam numericamente os de vida honesta. Não somente a ignorância e o abandono dos deveres eram frequentes, mas também a vida luxuriosa, grossa imoralidade, roubo e simonia. O alto clero não era melhor, era PIOR. A simonia(venda de cargos eclesiásticos) era a maneira regular  reconhecida de alguém se tornar bispo.


O papado, por mais de 150 anos, a partir de 890d.C, era vergonhoso, vil ao ultimo grau. O ofício que tinha sido tão elevado por Gregório I e Nicolau, passou por toda sorte de desgraças. Competições políticas se estenderam a vários pontificados. Alguns ocupantes da cadeira papal foram descaradamente culpados de toda sorte de crimes e pecados.


Durante anos, uma família de mulheres infames dominou o papado, as quais entregavam a quem elas o desejassem dar. A decadência papal era tão intensa que o imperador Oto I, para salvar o pontificado dessa degradação, sujeitou-o a si próprio. Durante 40 anos, os imperadores passaram a nomear e depor papas como bem entendessem. Depois disso o papado veio às mãos de uma família italiana, os condes Tusculum. E essa bagunça só terminou com Benedito IX, cuja depravação, roubos, e assassinatos, provocaram uma grande revolta do povo romano que o expulsou. O fato de o papado se restaurar de toda essa vergonha e alcançar maior prestigio e poder do que antes, mostra como era forte o seu domínio no espirito do povo europeu que via no bispo romano um verdadeiro pai, depois de terem sido por séculos, molestados por diversas invasões que por vezes, se deve ao papado, uma intervenção pacifica.


Ainda assim, a Igreja acumulou muito prestigio e poder antes de chegar a este ponto decadente. Mesmo os que se recolhiam para uma vida mais consagrada, isto é, os monges e freiras, foram envolvidos e arrastados pela degradação da época. Alguns dos piores registros sobre imoralidade da época, vem dos próprios mosteiros, cuja situação interna era um o reflexo da podridão do mundo exterior as paredes dos conventos.


A causa de tudo isso se devia ao paganismo que invadiu a Igreja e se tornou infeccioso. Ao fim do décimo século, numa grande parte da Europa ocidental, praticamente todo o povo pertencia a Igreja e tinha título de Cristão. Algo já iniciado no século 4 por Teodósio, como processo de cristianização do império que acabou por encher a Igreja de paganistas que se travestem de cristãos até os dias de hoje. O povo era cristão mas só no sentido às cerimônias religiosas, porém, quanto ao ensino moral cristão, esse não tinha efeito algum na vida da maioria. Ou seja, a sociedade era pagã, embora nominalmente cristã.


Emfim, a sociedade cristã européia no ocidente, era dominada quase totalmente pela imoralidade do paganismo, o mundo era varrido por guerras de toda sorte entre reis e nobres e pra variar, incessantes ataques bárbaros enchiam a Europa Ocidental de selvageria e destruição, Para além disto, reinava a mais profunda ignorância. A antiga cultura greco-romana tinha sido quase afogada pelo dilúvio da invasão bárbara. Conhecimento e instrução, esmo os mais rudimentares , eram posse de poucos. Era esse o mundo em que o Cristianismo teve de fazer com que seus preceitos morais fossem aceitos e seguidos.


Com a infiltração do paganismo no cristianismo, o Deus cristão não era o único objeto de culto. Os santos e a Virgem Maria eram invocados, assim como monges e mártires que na mente popular, demostravam mais amor e simpatia e pareciam estar mais próximo do homem medieval do que o próprio Deus encarnado. Toda sorte de culto, viagem e peregrinações a lugares sagrados era incentivado. As relíquias ocuparam um lugar de destaque na religião popular. A missa tornou-se o elemento central do culto. A Ceia do Senhor era agora conhecida pelo nome de missa. Este sacramento era considerado o sacrifício continuamente oferecido a Deus pelos pecados do mundo.


Os então, tidos como cristãos, viam o mundo como infestado de demônios devoradores de almas e prontos a levar todos ao inferno. para anular a obra dos maus espíritos, apelava-se a intercessão dos santos e para as virtudes mágicas das santas relíquias. Os templos eram vistos como locais de extrema santidade onde o povo seria livre de todo o mal, logo, a crença de que ao ir a igreja, todos eram livres do pecado, do diabo e da ira divina, se generalizou. E então o cristianismo passa a ser a religião do medo, como no paganismo. Tudo isso porque a maioria esmagadora dos cristãos, ainda conservavam ideias pagãs a respeito da religião.


Já no oriente, a cristandade estava miseravelmente dividida em discussões vazias e inúteis sobre minudências doutrinais quando caiu sobre ela um ataque massivo dos muçulmanos desde o século sexto quando os árabes dominaram a Síria, Palestina, parte da Ásia Menor, Mesopotâmia e Egito. A igreja oriental ainda conseguiu se manter nos balcans e na Grécia e no resto da Ásia Menor, contudo onde o islamismo entrava, a Igreja era obrigada a pagar tributos, era exposta a desonra e era proibida de construir novos templos. Tudo isso levou a Igreja do oriente a estagnação. No século VIII o oriente teve seu ultimo pensador notável, João de Damasco.


Ainda assim, no século IX, o oriente cristão desperta seu espirito missionário, alcançando a Morávia, os sérvios, os búlgaros e a Russia e rompe com a intromissão dos imperadores que queiram impor sua vontade a Igreja Oriental.


Ainda no século IX, voltando a Europa ocidental, temos novos rumos depois de séculos de guerra e anarquia, florescendo a ordem e a paz. Na providência divina durante séculos de outrora, o papado serviu para, na Idade Média, salvar do caos a Europa Ocidental e para amalgamar as civilizações romana e germânica. Os povos germânicos já se tinham estabelecido nas suas conquistas e se desenvolviam em sua civilização. Na Alemanha, Oto I ampliou seus territórios para o leste, repelindo invasores por aqueles lados. Os normandos e dinamarqueses que foram os últimos bárbaros a atacar a Europa ocidental e do sul, paralisaram suas investidas e muitos se fixaram na França. Os árabes tinham cessado suas seus ataques e agressões ao chegarem ao sul da Espanha. Dessa forma, os ventos de paz e tranquilidade sopraram, trazendo um despertamento intelectual.


Surgiram então grandes mestres nos mosteiros e escolas. Homens intruidos viajavam por toda parte pesquisando, indagando, desenvolvendo a cultura. Incontáveis livros foram escritos. A arte reviveu trazendo um esplendido desenvolvimento medieval foi neste contexto que o Cristianismo encontrou uma oportunidade de mostrar o seu poder, e assim o fez, depois de séculos de lutas, enfrentando diversos obstáculos de um mundo em desordem.


Por essa época infelizmente, a corrupção havia invadido os mosteiros e conventos que antes eram tidos como lugares da mais sincera consagração. E não foi por menos que, um verdadeiro ressurgimento de consagração sincera tinha de ser iniciado nestas instituições, e assim ocorreu.


No século X fundou-se no sudeste da França o mosteiro de Cluny onde a regra beneditina era observada, na sua severidade primitiva. Os monges de Cluny assumiam seus votos fielmente e dali, espalhou-se para a Alemanha, a consciência do domínio do mal no mundo e o proposito de corrigir a vida, até que um grande numero de conventos fosse purificado. Novos conventos foram organizados por toda a França e outras partes, seguindo as regras e o bom exemplo da então, Congregação de Cluny.


No seculo seguinte, surge um partido reformista com a intenção de levantar a Igreja de sua decadência. Esse partido era composto por homens que haviam sido treinados no zelo e na vida rigorosa de Cluny ou nos mosteiros sob sua influência. A ideia desta partido era libertar a Igreja de tudo que a prendesse aos interesses e aos poderes mundanos.


Os planos dessa reforma eram:


Deter e aniquilar a prática da simonia. 

Simonia é a compra dos oficios eclesiásticos. Este mal era resultante da grande riqueza da Igreja. Bispados e mosteiros possuidores de enormes riquezas, compraram grandes extensões e terras valiosas, sobre as quais os bispos e abades governavam, assim como os grandes senhores da nobreza feudal. Como os nobres, esse oficiais eclesiásticos eram subordinados aos monarcas devido suas terras estarem nos domínios destes reis. Assim, os governantes civis tinham nas mãos o poder de indicar bispos e abades; e sendo estes monarcas, muitas vezes sujeitos pouco interessados na vida espiritual, então, vendiam os cargos eclesiásticos como bem entendessem e por quanto pretendessem.

Tal prática era prejudicial à vida espiritual da Igreja, posto que homens que comprovam cargos religiosos não poderiam ser pessoas indicadas para exercerem esses ofícios eclesiásticos.

Fortalecer o celibato clerical.
Esses reformadores se opunham ao casamento dos clérigos que mesmo sendo proibido pela Igreja, ainda assim haviam diversos bispos e sacerdotes que violavam o celibato. A ideia do partido era que homens casados, em virtude de suas preocupações familiares, não poderiam se dedicar aos interesses da Igreja.

Purificação da vida clerical.
Os reformadores de Cluny, sendo homens de vida austera, odiavam a imoralidade que prevalecia e juraram acabar com ela.

Portanto, se estes três objetivos fossem alcançados, a Igreja muito cresceria moralmente e se livraria do domínio dos interesses seculares. E para atingir estes objetivos, os reformadores de Cluny pretendiam aumentar a autoridade do papa e garantir ao papado um grande poder em benefício desses objetivos restauradores. Tal movimento ficou conhecido como Reforma Cluníaca ou Cluniacense.

Em 1049, esses reformadores conseguiram sua primeira oportunidade de realizar os seus objetivos quando um deles  se tornou papa com o nome de Leão IX, por influencia do imperador Henrique III, que interferiu para salvar o papado de degradação, quando o infeliz papa Benedito IX vendeu seu ofício. Leão IX e seus sucessores passaram a por em prática o plano da reforma cluníaca, conseguindo melhorar a situação geral da Igreja. Os papas desde Leão IX eram controlados pelo homem que se tornou líder dos reformadores cluniacenses e que mais tarde veio a ser o maior de todos os papas - Hildebrando.

Italiano e de nascimento humilde, Hildebrando apesar de não ter sido monge, era cheio do espirito dos monges de Cluny. Servindo numa pequena igreja, ele era o verdadeiro mentor por trás do trono papal desde o tempo de Leão IX, até a sua própria eleição em 1073. Era ele quem influenciava nas eleições papais, moldando-lhes a politica e elaborando vagarosa e pacientemente o plano para a reforma da Igreja, até que ele mesmo pode fazer isso tornando-se Papa ao ser na Igreja de São Pedro, aclamado pelo povo, como que tendo sido escolhido pelo próprio bem-aventurado Pedro e de imediato, os cardeais os escolheram, e ele veio a ser chamado o papa Gregório VII.

Gregório VII, de pequena estatura, desajeitado de aparência, de voz débil, mas pujante de intelecto, animoso, decidido e zeloso defensor do absolutismo papal passa então a reformar o clero. Habilidades e autoridade não lhe faltaram, visto que antes mesmo de ser papa já controlava os cinco pontificados antes dele e isso lhe deu bastante experiência em comandar a Igreja e de imediato insistiu combativamente no celibato, enfrentou os monarcas que ousassem interferir nos assuntos da Igreja. Enfrentou principalmente Henrique IV o imperador da Alemanha. 

Henrique IV então depõe  Hidelbrando, o Gregório VII. Gregório por sua vez, excomunga e depõe o imperador. Temos uma guerra. Durante anos, a Itália foi devastada pelos combates entre os dois exércitos, o papal e o imperial. Como resultado, Gregório VII foi expulso de Roma e morreu no exílio. Todavia trouxe a independência do papado, do poder imperial.  Repetidamente, denominou-se " Soberano dos reis e príncipes", e provou que o era.

Hildebrando encontrou o papado enfraquecido e humilhado e o tornou o maior poder da Europa. Foi o maior de todos os papas, principal construtor do papado e seu maior planejador na Idade Média. A política dele era livrar a Igreja do controle externo e acabar com a sujeição da Igreja ao Estado.


Att: Elisson Freire


No próximo artigo trataremos sobre a Reforma de Hildebrando.

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O Cristianismo antes da Reforma Protestante - A decadência da Igreja Medieval e a Reforma de Cluny
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