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Resistência Apologética

O desenvolvimento do Papado - parte I - De Lino a Leão I

No primeiro século não havia no cristianismo um padrão uniforme de organização eclesiástica. Algumas igrejas eram governadas por grupos de presbíteros ou bispos, auxiliados por diáconos. Chegando ao segundo século já vemos iniciar uma uniformidade na organização. Praticamente cada Igreja tinha um bispo que a dirigia, além do grupo de presbíteros e diáconos. A função de bispo contudo, não era constituída de governo, distrito ou zona. Os bispos eram pastores, cada qual da sua própria comunidade. A direção da Igreja era organizada pelos dois grupos, em certos casos, um só homem dirigia melhor do que vários em uma só comunidade.
As igrejas eram independentes no primeiro século, assim permaneceram até o terceiro. Não havia governo que exercesse autoridade sobre mais de uma igreja local durante todo este tempo. Já no segundo século, a igreja passa a se uniformizar como organização e se torna uma federação ou associação de igrejas que eram ligadas por um acordo formal, com três aspectos. Unidade espiritual através do amor e baseado na fé em Cristo.

No século II, além da unidade espiritual, havia a unidade externa. As igrejas faziam parte de uma associação que era unida primeiro por terem uma só forma de governo, isto é, bispos, presbíteros, diáconos; segundo, pela adoção de um só credo, substancialmente o Credo Apostólico; e, terceiro, por todas reconhecerem e receberem uma só coleção de livros do Novo Testamento. A essa associação denomina-se Igreja Católica. Obviamente haviam Igrejas que não tinham a mesma forma de governo acima descrito, nem concordavam todas com o mesmo credo, nem recebiam alguns dos livros reconhecidos pelas outras. Essas igrejas eram reputadas pela Igreja Católica como heréticas.

Tal organização da Igreja numa federação uniforme tida como Católica, tornou-se necessária em face de um grande perigo, este era o gnosticismo, que lançava confusão a respeito da verdade cristã. Ainda outro movimento se levantou produzindo também, enorme dissenção, ou seja, o Montanismo. Então, para preservar o cristianismo de se perder na confusão, foram necessários certos meios de unidade externa. O meio de que lançaram mão foi a organização de todas as comunidades cristãs e igrejas locais tidas como genuínas, como Igreja Católica, uma instituição que teria autoridade, para se preciso, excluir do seu seio os que se recusassem a seguir a ortodoxia cristã. Isto mais tarde teve resultados danosos ao cristianismo, mas, naquele tempo, foi algo muito necessário.

Contudo não havia surgido ainda por esse tempo, nenhum tipo de governo geral, organizado, da Igreja. Havia sínodos ou reuniões de bispos para tratarem das reuniões particulares. Mais tarde desenvolveram-se duas ideias acerca da unidade da Igreja. Uma, foi que a unidade repousava na concordância com os pontos de vista da parte dos bispos. A outra, foi que a unidade consistia na aceitação da autoridade de um grupo de Bispos em especifico, estes seriam os principais, cerca de 5, presidindo as principais e mais importantes igrejas do império. Sendo a igreja da capital do império, a maior e mais rica de todas as igrejas, naturalmente, a Igreja de Roma e evidentemente seu bispo, passaram a crescer em poder e influência.

Então, ao fim do segundo século, os bispos de Roma começam gradualmente a reclamar a si a autoridade geral. Um século mais tarde essa liderança foi gradualmente sendo aceita no ocidente, não, porém, no oriente.  Entre os cinco patriarcas, ou, os 5 mais importantes bispos da Igreja, os dois mais renomados e importantes, eram: o de Roma e o de Constantinopla, pois eram as duas principais cidades do Império Romano.

Por muitos séculos, Roma Imperial impôs sua autoridade sobre o mundo. Inevitavelmente, seu bispo dispunha de um poder que nenhum outro poderia conseguir. Além disso, os bispos romanos mantiveram uma política persistente de manter toda a autoridade que pudessem alcançar, aproveitando cada oportunidade e o poder de que dispunham. E pra isso, passaram a explorar como bem entendessem todas as brechas que encontravam para manifestar sua influência até que no quinto século, a conhecida pretensão papal, ou petrina, veio a ser aceita no ocidente.

Essa pretensão é baseada na suposta autoridade que Cristo deu a Pedro sobre os demais apóstolos, e que Pedro foi o primeiro bispo de Roma, legando seu primado aos seus sucessores naquela igreja, de modo que eles tinham direito divino da autoridade, da primazia sobre os demais bispos. De inicio, a palavra "papa" que deriva do latim, "pappa", que significa pai, foi usada com frequência na Igreja e era título de qualquer bispo, mas, gradualmente depois, foi reclamado como título pelos bispos de Roma em exclusividade para exercer autoridade sobre toda a Igreja.

Contudo tal autoridade suprema do bispo romano desenvolveu-se lentamente, contestada acremente a cada passo, e nunca, em tempo algum, foi aceita universalmente.


Pedro

A tradição do catolicismo romano de ter sido Pedro o primeiro papa, é pura e simples ficção baseada em lendas tardias pós-apostólicas cheias de contradições. Não há qualquer evidência histórica de ter sido ele bispo de Roma, apesar de supostamente ter sido lá martirizado. Nenhuma lista o aponta como bispo romano, e sim como estando em Roma no fim de sua vida, ou exercendo trabalho missionário junto com Paulo mas por um breve tempo. Pedro jamais reivindicou para si tal autoridade, como seus supostos sucessores tem feito.

Para além disto, o próprio Pedro já prevendo que seus supostos "sucessores" se preocupariam em "dominar o rebanho de Deus, antes que em se tornarem modelos para ele", já os adverte e os refuta em suas pretensões supostamente petrinas:

"Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho."
1 Pedro 5:1-3


Os primeiros Bispos Romanos

Lino de 67 - 79 d.C foi o primeiro bispo romano, segundo as listas citadas por Irineu, Agostinho e Eusébio, sendo que nenhuma cita Pedro como primeiro mas sim nomeando a Lino como primeiro. Epifânio por sua vez, cita que Pedro e Paulo foram bispos de Roma, como que ao mesmo tempo, enquanto que Tertuliano cita que Pedro teria nomeado Clemente como bispo, pessoalmente. Quem teria sido o primeiro bispo romano então?? Ora, evidências que podemos encontrar na primeira carta de Clemente aos corintios, e ainda em outra carta, intitulada, O Pastor de Hermas, na verdade, nos mostra que a Igreja em Roma, no primeiro século, era presidida por um colégio de bispos e não por um bispo monárquico. Sobre isto abordaremos em outros artigos. Aqui pretendo fazer um breve resumo do desenvolvimento do papado. 

Cleto, de 79 - 91 d.C. Discípulo de Pedro, morreu martirizado nas perseguições movidas contra o cristianismo já no primeiro século. 

Clemente, de 91 - 100 d.C. Escreveu uma carta à Igreja de Corinto, em nome da Igreja de Roma, não em seu próprio nome. e não dá nenhuma ideia da autoridade papal que mas tarde certos papas assumiram.

Evaristo, 100 - 109 d.C. Um judeu helenizado convertido a fé cristã. Citado por Eusébio como sucessor de Clemente.

Alexandre I, 109 - 119 d.C. Responsável pela conversão de Hermes, governador romano, e de Quirino de Neuss, e sua filha Balbina, estes últimos assim como Alexandre, foram martirizados.

Sixto I, 119 - 128 d.C. Em sua época talvez, aparecem as primeiras divergências entre a Igreja de Roma e as Igrejas do oriente, sobretudo pelo fato de que estas já celebravam oficialmente a Páscoa, festa que ainda não se tinha estabelecido no ocidente.

Telésforo, 128 - 130 d.C. Citado por Irineu como um mártir glorioso, e também em carta ao papa Vitor I durante a controvérsia da Páscoa no final do século II, esta, preservada por Eusébio.

Higino, 139 - 142 d.C. Filho de um filósofo grego, também era notável filósofo de origem ateniense. Teve a ajuda de Justino Mártir contra os hereges de sua época. Enfrentou os gnósticos Valentim e Cerdão. 

Pio I, 142 - 154 d.C. Filho do décimo quinto sucessor de Tiago em Jerusalém, Judas Desposyni. Pio I também enfrentou os gnósticos Valentim, Cerdão e Marcião.


O Começo da Política Dominadora dos Bispos Romanos

Aniceto, 154 - 168 d.C. Condenou o Montanismo, e junto com Justino Mártir e Policarpo, enfrentou os gnósticos. Ao ser visitado pelo Bispo de Esmirna, tentou levar Policarpo, então bispo de Esmirna, a mudar a data da celebração da Páscoa; mas Policarpo recusou-se a atendê-lo.

Sotero, 168 - 176 d.C. Seus escritos são relatados por Eusébio, no mesmo nível  de prestígio que a carta de Clemente aos corintios. 

Eleutério, 177 - 190 d.C. Enfrentou o montanismo e em sua época os bispos romanos já começam a explorar a sucessão petrina.

Vitor I, 190 - 202 d.C. Ameaçou de excomunhão às Igrejas orientais por celebrarem a Páscoa em 14 de Nisã. Polícrates, bispo de Éfeso, respondeu que não temia as ameaças de Vitor, e afirmou a independência de sua autoridade. Irineu de Lião, embora bispo ocidental e simpatizante do ponto de vista do ocidente sobre a celebração da Páscoa (isto é, que fosse em dia fixo de semana, e não em dia fixo de mês), repreendeu Vitor por pretender impor-se às igrejas orientais. 

Zeferino, 202 - 218 d.C. O seu pontificado se caracterizou por duras lutas teológicas que levaram, por exemplo à excomunhão de Tertuliano. Seu crítico, Hipólito de Roma, além de o acusar de heresia modalista, o descreveu como um homem simples, sem educação e dominado pelo seu assessor, Calisto. A Heresia Modalista dizia que o Pai e o Filho eram a mesma pessoa da divindade. Hipólito defendia a doutrina do Logos dos apologistas gregos, que distinguia o Pai do Logos ("Verbo") Jesus Cristo.

A Influência Crescente dos Bispos Romanos


Calisto I, 218 -223 d.C. Calisto era negro, foi escravo e minerador, alforriado, chegou a Roma com os cuidados do papa Vitor I. Depois, se tornou diácono do papa Zeferino, e sucessor dele no episcopado romano. Teve como grande antagonista, Hipólito de Roma que também enfrentou o papa anterior e não se dava com Calisto nem o tinha como suprema autoridade, tanto que permaneceu mais de uma década em oposição ao episcopado de Calisto e seu antecessor Zeferino. Calisto por sua vez, foi o primeiro bispo romano a basear sua pretensão em Mateus 16:18. Tertuliano de Cartago, chamou-o usurpador, por falar como se fora Bispo dos bispos. 

Urbano I, 223 - 230 d.C. Despertou a inveja do prefeito de Roma devido imensa fortuna que a Igreja acumulava por causa das doações que recebia. Para desespero dos avarentos de sua época, Urbano, ordenava que todas as doações fossem empregadas na manutenção do auxílio aos pobres e necessitados. Acabou morto depois de perseguido e caluniado pelo prefeito romano. 

Ponciano, 230 - 235 d.C. Por sua época Demétrio de Alexandria condena alguns textos de Orígenes que tinham conteúdo gnóstico. Foi exilado com Hipólito e outros líderes da Igreja para as minas da Sardenha e renunciou ao ofício para que outro assumisse estando em Roma. 

Antero, 235 - 236 d.C. Foi papa por menos de dois meses, ainda assim, com sua humildade e grande carisma pessoal, conseguiu converter milhares entre os romanos e gregos pagãos, e até entre a guarda pessoal do imperador romano.

Fabiano, 236 - 250 d.C. A primeira expedição de missionários às Gálias (hoje França e Bélgica) é atribuída a este Papa. 

Cornélio, 251 - 252 d.C. Era amigo de Cipriano de Cartago. Em sua época, combateu o novacionismo, doutrina criada por um sacerdote de Roma que pretendeu ser eleito como papa. Novaciano, exigia o rebatismo dos hereges e cismáticos que haviam apostatado durante as perseguições de Décio. Cornélio defendia que se bastava o arrependimento. 

Lúcio I, 252 - 253 d.C. Exerceu sua função por pouco tempo, enfrentando os novacianos e os seguidores de Nereu de Chipre, o agitador, que ambicionava o ofício de bispo romano pra piorar, a Igreja passava por imensa dificuldade e já não tinha muitos recursos devido a intensa perseguição que só em seu episcopado levaram cerca de 900 cristãos romanos ao martírio. 

Estevão I, 253 - 257 d.C. Fez objeções a certas práticas batismais da Igreja norte-africana. Cipriano, bispo de Cartago, sustentou que cada bispo era supremo em sua própria diocese, e recusou-se a se submeter a Estevão. Não obstante, tomava corpo a ideia de que Roma, cidade principal, devia ser cabeça da Igreja, assim como era cabeça do império.

Sisto II, 257 a 258 d.C. Reatou a comunhão com os bispos norte-africanos. Por sua época, houve o traslado dos restos mortais dos apóstolos Pedro e Paulo. Morreu decapitado junto a outros cristãos enquanto efetuava a cerimônia da consagração do pão.

Dionísio, 259 - 259 d.C. Reorganizou a Igreja Romana, que havia caído em grande desordem após diversas perseguições consecutivas e enviou grandes somas de dinheiro para as igrejas da região da Capadócia, que haviam sido devastadas, para reconstruir e resgatar os que estavam presos. Dionísio faleceu de morte natural, não sem antes estabelecer ordem à Igreja e procurar por paz, junto ao Imperador Galiano, que emitiu um édito de tolerância, que durou até 303. 

Félix I, 269 - 274 d.C. Juntou-se aos fiéis nas catacumbas, para escapar à perseguição do Imperador Aureliano. Iniciou o sepultamento dos mártires sob o altar e a celebração da missa sobre seu túmulos

Eutiquiano, 275 - 283 d.C. Ordenou que os mártires fossem cobertos pela "dalmática", parecida com o manto dos Imperadores Romanos, hoje vestimentas dos diáconos nas cerimônias solenes. Instituiu a bênção da colheita nos campos.

Caio, 283 - 296 d.C. Pôs novas exigências eclesiásticas para que alguém assumisse a função de bispo, dividiu os bairros de Roma entre os diáconos e conteve vários agitadores que queriam se vingar da morte de outros papas na figura de atos de vandalismo.

Marcelino, 296 - 304 d.C. Morreu no segundo ano da grande perseguição promovida por Diocleciano. Os soldados cristãos tiveram de deixar o exército, as propriedades da Igreja foram confiscadas e os livros sagrados foram destruídos, tendo sido proibidas as funções religiosas. Além disso, os cristãos eram obrigados a renunciar a própria fé, sob pena de serem condenados à morte. A própria esposa de Diocleciano, Prisca, e a sua filha Valéria, ambas cristãs, foram forçadas a adorar as divindades pagãs.

Uma breve controvérsia cerca a biografia deste papa acusado por Petiliano, bispo de Constantinade ter sido obrigado a sacrificar aos deuses e queimado incenso em honra deles. Mas que todavia, depois de alguns dias, foi vencido pelo arrependimento e confessou a fé em Cristo. Por isto, juntamente a outros três cristãos, foi condenado à morte por Diocleciano: foram decapitados. Parece bastante evidente que tal versão busca conciliar os boatos de que o papa tinha apostatado com o fato de que em outros ambientes era visto como um mártir e a sua tumba era venerada. Todavia, tal acusação não foi aceita por Agostinho. Eusébio também não aceitou esta tese e Teodoreto, na sua Historia Eclesiástica, afirmou que Marcelino foi um exemplo durante a perseguição (ton ’en tô diogmô diaprépsanta (Historia Ecclesiastica, I, 2).

Marcelo I, 308 - 309 d.C. Também sofreu a perseguição de Diocleciano, a ultima promovida pelo Império Romano e instigada pelo partido da religião oficial que propunha a centralização e a conservação do Império Romano sob seus antigos costumes, o que veio a se tornar uma ameaça ao cristianismo emergente que se espalhava por toda parte ganhando muitos adeptos. Para driblar a perseguição, Marcelo I reorganiza a Igreja em Roma, subdividindo o território metropolitano em 25 distritos (tituli) assemelháveis às atuais paróquias, à chefia dos quais era posto um presbítero que presidia a preparação dos catecúmenos, o batismo, a administração das penitências, as celebrações litúrgicas e o cuidado dos locais de sepultura e de memória dos mártires. Forte opositor dos apostatas que sucumbiam aos desejos do Império, Marcelo foi rapidamente exilado tendo supostamente sido condenado a trabalhar como escravo numa estação postal (catabulum) de Roma, onde depois morre, passando o fim de sua vida, cuidando dos cavalos recolhidos no mesmo catabulum.

Há uma breve especulação de Marcelo I na verdade jamais tenha sido bispo de Roma, mas sim um presbítero que assumiu a direção devido a conturbação das perseguições que deixou Roma sem um papa por 4 anos. Tal especulação se deve as listas que omitem seu nome ou o trocam pelo nome de Marcelino, trazendo logo em seguida o nome de Eusébio, bispo romano após Marcelino que abdicara.

Eusébio, 309 - 310 d.C. Após a Perseguição de Diocleciano, - que já tinha criado problemas ao papa Marcelo I e a Marcelino antes deste.-  Eusébio confirmou a atitude adotada pelo seu antecessor: excomungar os que tinham apostatado, com a possibilidade de serem readmitidos aqueles que, depois de um ato público de penitência, manifestassem um sincero arrependimento.

Melquíades, 311 - 314 d.C. Era africano. Sob seu episcopado, em outubro de 312 d.C, Constantino assumiu o controle de Roma após derrotar Magêncio que havia exilado o papa Eusébio. Constantino presenteou o papa com o Palácio laterano, que se tornou a residência papal e sede do governo cristão. Logo no início de 313 d.C, Constantino e seu companheiro imperador Licínio chegaram a um acordo no Édito de Milão, indicando que eles iriam garantir a liberdade religiosa aos cristãos (e outras religiões) e restaurar as propriedades eclesiásticas.


A União entre a Igreja e o Estado

Silvestre I, 314 -335 d.C. Foi na época de Silvestre que Constantino concede tolerância ao Cristianismo e acaba com as perseguições. A igreja veio a ser, imediatamente uma instituição de vasta importância na política do mundo. Constantino todavia, considerava-se cabeça da Igreja. Convocou o Concílio de Nicéia em 325 e presidiu a ele, o primeiro Concílio mundial da Igreja. Este concílio acalmou os conflitos internos da Igreja sobre a questão do arianismo e concordou em que os bispos de Alexandria e de Antioquia tivessem plena jurisdição sobre suas províncias, assim como o de Roma tinha sobre a sua, SEM QUALQUER IDEIA de estarem elas sujeitas a Roma. 

Marco, 336 - 337 d.C. Crê-se que as mais antigas listas conhecidas de bispos e mártires ("Depositio episcoparum" e "Depositio martyrum") começaram a ser compiladas no seu pontificado.

Júlio I, 337 - 352 d.C. Em seu governo, o Concílio de Sárdica em 343, constituído apenas por bispos ocidentais, não sendo portanto, concílio ecumênico, foi o primeiro a reconhecer a autoridade universal do bispo romano.


Os Cinco Patriarcas e o Papado


Ao final do século IV, as igrejas e os bispos da cristandade vieram a ficar, em grande parte, sob o domínio de cinco grandes centros: Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma, cujos bispos vieram a ser chamados de PATRIARCAS, de igual autoridade todos eles, cada qual governando, sozinho, sua província. Depois da divisão do Império em 395, em Oriental e Ocidental, os patriarcas de Antioquia, Jerusalém de Alexandria gradativamente reconheceram a liderança de Constantinopla e daí por diante surgiu a porfia pela liderança da cristandade entre Roma e Constantinopla.

Libério, 352 - 366 d.C. Este foi pressionado pelo Imperador, a capitular com a heresia ariana e condenar Atanásio de Alexandria. Praticamente afrouxou com o arianismo com medo de perder o ofício de Bispo em Roma, causou enorme vexame a igreja ocidental diante dos demais bispos. Testemunhas da defecção de Libério são o próprio Atanásio, Hilário de Poitiers, Jerónimo, Hermias Sozomeno, Faustino e Marcelino. 

Atanásio menciona a resistência inicial de Libério (que "era consciente da conspiração formada contra nós" e a sua claudicação depois de dois anos de exílio (Apologia contra os arianos, 89). Em outro lado (História dos arianos, 41) diz: "Assim se esforçaram [os conspiradores arianos] ao princípio para corromper a Igreja dos romanos, desejando introduzir a impiedade nela assim como noutras. Mas Libério, depois de ter estado no exílio dois anos, cedeu, e por medo à ameaça de morte subscreveu. Ainda assim, isto só mostra a conduta violenta, e o ódio de Libério contra a heresia, e o seu apoio a Atanásio, enquanto se lhe permitiu exercitar uma livre escolha".

Dâmaso, 366 - 384 d.C. Assim como Calisto I, Dâmaso utiliza o texto de Mateus 16:18 para fundamentar as pretensões romanas de poder e, ao mesmo tempo, as interpreta de forma jurídica. Reclama a igreja romana a pretensão de um nível superior ao das restantes igrejas, baseado numa posição de monopólio da Igreja de Roma supostamente dada por Deus através de Pedro e Paulo. Por isso, não é de estranhar que Dámaso mandasse ornamentar as sepulturas e igrejas de Pedro e Paulo assim como as dos bispos e mártires romanos e adorná-las com belas e elogiosas inscrições latinas. Tudo isso para deixar claro que a verdadeira Roma é agora a Roma cristã. E nessa política insere-se também o encargo dado a Jerónimo, erudito do norte de Itália, para que faça uma versão latina da Bíblia, moderna e facilmente inteligível (em vez da velha-latina “Itala” ou “Vetus Latina”). Ela traduz com toda a naturalidade muitas expressões, sobretudo veterotestamentárias, mediante outras do direito romano, e se converte mais tarde na “Vulgata”, normativa tanto no eclesiástico-teológico como no litúrgico-jurídico. 

A contribuição de Dámaso, assim como todos os outros bispos romanos do século IV, foi tentar atrair a simpatia da alta sociedade romana saudosista da grande Roma pagã. A partir daí, ele funde o orgulho imperial e civil vetero-romano com o cristianismo.

Sirício, 385 - 398 d.C. Reivindicou jurisdição universal sobre a Igreja, mas, para infelicidade sua, viu o império dividir-se em dois em 395, Oriental e Ocidental, o que tornou mais difícil, ao bispo romano, conseguir o reconhecimento de sua autoridade pelo Oriente.

Anastácio, 398 - 402 d.C. Condenou o origenismo a pedido de Teófilo de Alexandria após o Concílio de Alexandria de 400 d.C, ele também encorajou a Igreja do norte da África para combater o donatismo.

Inocêncio I, 402 - 417 d.C. Este era filho do papa Anastácio citado logo acima. Foi durante o seu pontificado que Jerônimo terminou a revisão da tradução latina da Bíblia conhecida como Vulgata Latina, em 404 passou a unificar a Igreja ocidental em torno da "praxis romana", estabelecendo a observância dos ritos romanos no Ocidente, o catálogo do livros canônicos e as regras monásticas. 

Enfrentou a heresia de Pelágio da Britânia, tendo ratificado a condenação deste e de Celestino; defendeu João Crisóstomo, mas não foi atendido nesta questão, mas em outra, onde conseguiu que o imperador Flávio Honório proibisse as lutas de gladiadores.

Inocêncio I arrogou a si o título de "governante da Igreja de Deus", e avocou a si o direito de resolver as controvérsias mais importantes de toda a Igreja.  O que não surtiu efeito, já que seu sucessor quis usar destas prerrogativas, e se não fosse por Agostinho, teria capitulado com mais uma heresia.

Zózimo, 417 - 418 d.C. Este não sabia distinguir um documento pelagiano de um ortodoxo, e teve de ser ensinado pelos bispos africanos. Ainda bem, pra Igreja Romana, que, este bispo não passou de um ano na liderança da Igreja Ocidental. Continuasse um pouco mais, os Orientais não esperariam mais 6 séculos para excomungar os bispos romanos, teriam dado adeus a Igreja Romana de imediato assim que Zózimo anulou a condenação de Inocêncio I ao pelagianismo.

Bonifácio I, 418 - 422 d.C. Assim como Calisto I e Dâmaso, também fez uso da interpretação de Mateus 16:18 e 19 em seu favor. 

Celestino I, 422 - 432 d.C. Enfrentou ferozmente os novacianos e pelagianos, mas por algum motivo sua presença não foi muito necessária no Concilio de Éfeso, tanto, que mandou apenas dois representantes para assistir ao Concílio que veio a condenar de vez o novacianismo. 

Sisto III, 432 - 440 d.C. Em sua época, o Império Ocidental se dissolvia, rapidamente, ao impacto da migração dos bárbaros. Na aflição e ansiedade daquele tempo, Agostinho  escreveu sua obra monumental, a "Cidade de Deus", na qual apresentou a visão de um império cristão universal. Este livro influiu muito na formação de uma opinião favorável a uma hierarquia eclesiástica universal sob um chefe, advogando assim a reivindicação de Roma posteriormente. Reivindicação esta que mais tarde conseguiu reconhecimento imperial.

Reconhecimento Imperial na Pretensão dos Bispos Romanos


Leão I, 440 - 461 d.C. Em sua época, o infortúnio do império lhe foi propício. As controvérsias retalhavam o Oriente, já o Ocidente, com imperadores fracos, cedia terreno  aos invasores bárbaros. O bispo de Roma era no entanto, o único homem forte naqueles dias. Em 452, Leão I persuadiu Átila, o huno, a poupar a cidade de Roma. Três anos depois, ele induziu Genserico, o vândalo, a compadecer-se da cidade. Isto contribuiu muito para a causa do papado. Leão afirmou que, por disposição divina, ele era o primaz de todos os bispos, e obteve do imperador Valentiniano III já em 445, o reconhecimento imperial dessa pretensão.

Mas isso continuarei a abordar no próximo artigo...

Att: Elisson Freire

Referências de Consulta Bibliográfica:

CAIRNS, Earle E. O Cristianismo Através dos Séculos. São Paulo: Vida Nova, 1995.
NICHOLS, Robert H. História da Igreja Cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
Manual Bíblico de Haley
Meus Apontamentos Apologéticos

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